Narrativas do silêncio 

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Antropologia da face gloriosa, Arthur Omar

Por vezes posso sentir o interior da minha boca do tamanho da minha cabeça inteira. Ou o peito também, posso senti-lo grande, maior que eu imaginava.

Estou convicta de que a loucura é uma sensibilidade. Conviver com a ilusão de que passa, passa, está a passar. Mas quando se volta o olhar, ainda está lá.

Ainda há de existir um tempo em que se possa ouvir um poema recitado em sotaque português. “Escute bem, isso é um poema, não vai passar, não vai melhorar, isso é um poema.” Mas ainda se pode por vezes fixar o olhar em qualquer coisa, e isso ainda é uma possibilidade que existe. Porque ainda existe em meio à tudo uma possibilidade de concentração.

Por vezes posso sentir o interior da minha boca do tamanho da minha cabeça inteira. Ou os dentes, a língua, grandemente um interior, parecendo maior que o real. Uma pretensão lírica. E me deito. E penso.

Como pode também ser ridículo o que se tem a pretensão de nomear loucura.

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