Cacheada não, crespa

Se tem uma coisa que vem me tirando do sério ultimamente é essa onda de pessoas brancas de cabelo cacheado contando sua história de superação e de como foi difícil assumir seus “cachos”, e ganhando chuva de papel picado, inclusive midiática, por terem vencido a enorme batalha que foi parar de fazer chapinha. Não passa um dia que eu não veja um link de notícia falando sobre “assumir seus cachos”, sobre como os “cachos” são lindos, os “cachos” são aquilo, “os cachos”. Sempre os “cachos”.

Eu acho extremamente positivo que as mulheres brancas empoderem seus cabelos naturais, mas não consigo deixar de ver como essa onda cacheada é de um apagamento absurdo da negritude. Ou o cabelo é liso, ou é cacheado. Como se não existissem outras texturas, como se não existisse cabelo sem cachos, como se não existisse o cabelo crespo.

Eu vejo cabelos crespos, inclusive sem cachos, sendo colocado lado a lado com cabelos de mulheres brancas cacheados e ondulados como se representassem uma mesma coisa, um mesmo processo de transição, de superação e de opressão a ser vencido. Cabelo cacheado sofre coerção pra se adequar ao padrão liso? Sim. Mas não chame isso de opressão, não chame isso de racismo, isso não faz nem cosquinha no que é racismo. Mulher branca de cabelo cacheado não sofre racismo. Pessoas brancas de cabelo cacheado não sofrem racismo. Pessoas brancas não sofrem racismo.

Estamos falando de processos diferentes, estamos falando de transições diferentes. Nossa transição é um processo profundo de internalização de consciência e de entendimento do que é racismo.O processo de transição de uma pessoa negra é um processo dolorido, de resgate da sua ancestralidade, de retomada, de cicatrização de feridas antigas, de descoberta de si mesmo e de que era dor aquilo que ele sentia não sabia o que era quando a mãe prendia, cortava, raspava seu cabelo para a proteger de sofrer na escola.

Não é possível que só eu ache violento abrir um vídeo de propaganda e dar de cara com uma criança negra sem cachos sendo perguntada de porque ela não gosta dos seus cachos. É duro, eu parei pra imaginar o que passou na cabecinha daquela menina do lado de um tanto de loirinha-cachinhos-dourados e as pessoas a equalizando e a apagando. O que rola é que a loirinha nunca vai ser chamada de mendiga, de suja porque tem o cabelo cacheado, dificilmente vão considerar os cachos dela “má aparência”, dizer que não se adequa ao ambiente de trabalho, dificilmente vão mandá-la prender o cabelo, dificilmente ela vai perder emprego pelos seus “cachos”.

Desculpa ter que desconstruir seu mundo colorido com música de fundo e propaganda da Dove pra contar que pros negros o buraco é mais embaixo. Desculpa, mas não aguento mais ouvir sua história de superação de como foi difícil pra você não fazer mais chapinha pra ir no casamento e querer colocar isso em pé de igualdade com ser um médico de rastafari, ou uma médica black power. Isso não é a mesma coisa. Seus cachos não causam o estranhamento, nem a ruptura que um black power ou dreads causam em um ambiente majoritariamente branco.

Eu não sou cacheada, eu sou crespa, eu tenho um black power (power mesmo!).E é power porque eu criei um poder ao assumi-lo, um poder que se relaciona intimamente ao meu enfrentamento diário do racismo.

Meu cabelo é um ato político, meu cabelo é uma afronta à branquitude racista que tentou me convencer que eu sou feia e suja desde que eu nasci e que me fez acreditar que meu cabelo era errado, que eu não podia acordar com o cabelo pra cima, que o que nasce naturalmente na minha cabeça devia ser corrigido.

Parabéns pela sua superação, mas a minha é outra. Não me equalize a você.

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22 pensamentos sobre “Cacheada não, crespa

  1. Pensei bastante se deveria ou não comentar aqui. Assim como as feministas não gostam de homens que defendem o feminismo, quase todas as outras causas excluem quem não sente na pele seu problema.
    Eu sou branca, do cabelo entre o pixaim e o cacheado. Sou branca. Nunca sofri racismo. Mas ouço encherem meu saco desde que tenho cabelo, porque ele é ‘revoltado’. Aderi à progressiva há muitos anos, e estou em processo de desintoxicação dela. Ainda que eu não sofra racismo, ainda que eu seja branca, é um processo difícil aceitar que meu cabelo é assim, que faz parte de mim, que pode ser bonito assim (ainda que o mundo diga o contrário diariamente), aceitar a ver além dos padrões sociais de beleza, e mais: aceitar que eu não preciso ser bonita aos olhos alheios. Que isso não me define, que não deve ter essa importância toda.
    Enfim. Não é uma causa, é apenas um processo interno que eu passo, e muitas mulheres brancas passam. Não se compara ao problema do racismo, da aceitação do black power, do empoderamento étnico da mulher negra. Nunca vi ninguém pretender equalizar as coisas, nunca vi comparações. Cada coisa é uma coisa. O (meu) problema é o que toda mulher passa, de não submissão aos padrões de beleza ditados pelo mundo, de auto aceitação. O outro é um problema social, o racismo. Duas coisas que em alguns momentos se aproximam, mas nunca vi ninguém tentando comparar essas coisas, ou equalizar.
    bj.

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    1. Para graziela:
      Tu dizer que nunca viu já é equalizar, igualar, minimizar, silenciar, reproduzir.
      Nunca viu ninguém tentar equalizar ou não desenvolveu a habilidade de reconhecer quando pessoas brancas minimizam a fala do negrx que sofreu racismo? Porque são coisas diferentes. Será que já deu ouvidos quando tua amiga negra (se tiver) falou que estavam minimizando ou distorcendo o que ela estava dizendo em relação ao racismo?? Será que levou a sério o texto da autora ou ficou no lugar da vítima-mulher-branca-mal-compreendida? Não estamos falando de vc. Não estamos falando no micro. Olhe ao redor. Limpe as lentes.

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  2. Concordo com a Graziela. Não acho que ideia da propaganda foi igualar a discriminação com os cachos ao racismo, que é uma questão bem mais ampla, e sim buscar o empoderamento de mulheres com cabelos que destoam do padrão estético atualmente aceito. Achei válido colocarem brancas e negras falando sobre a mesma questão porque todas essas meninas passam por isso, embora as negras passem por bem mais que isso. Mas o fato é que o foco desta campanha é cabelo, por isso não cabia abordar todas as outras formas de discriminação pelas quais passam os negros. Tenho pele clara, nunca sofri preconceito pelo meu tom de pele. Em compensação, enfrentei um bullying bem intenso na minha vida escolar, causado em grande parte pelo meu cabelo crespo, que eu detestava ter. Hoje em dia uso um black natural e simplesmente amo meu cabelo, não consigo me imaginar mais com o cabelo liso, meu cabelo faz parte de quem eu sou. Esse foi um processo lento de aceitação do meu tipo de beleza. Enfim, respeito sua opinião, mas acredito que nenhuma luta por empoderamento feminino vá diminuir a luta contra o racismo. Abraços e luz pra ti!

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  3. Sou negra sim! Sou black power sim! Sou crespa sim! Alisava meu cabelo desde 4 anos de idade por motivo de necessitar ser aceita na sociedade, na escola de riquinho que eu estava inserida. Viver essa vida, ao contrário do que dito pela autora, não me doía. Na minha cabeça era algo normal, eu não vislumbrava outro mundo. Assumi novamente a negritude há dois anos. Assim como no texto, foi realmente muito difícil. A dificuldade parte desde em frente ao espelho, a mesa de jantar com sua família, a encarar a rua, ao procurar espaço na sociedade. Isso sim, dói. Realmente dói ver mulheres de cabelos cacheados dizerem que enfrentaram um mundo “terrível” por se assumir. ME POUPE KIRIDINHAS. Vocês tão totalmente por fora. Você não sabe sequer o que é receber olhares tortos na rua. O máximo que vc sabe é ouvir pessoas desconhecidas dando palpites no seu cabelo. Algo muito mais brando do que servir de chacota para a turminha desinibida da escola. É realmente fácil confundir a situação de racismo e situações de não aceitação de pessoas fora do padrão. Nós vivemos numa sociedade onde se eu fosse branca, loira de cabelo liso, olhos azuis, mas repetindo: GORDA, eu passaria por situações genericamente maldosas e absurdas que uma negra black power como eu, já passou. E isso é inaceitável, tão quanto é inaceitável agredir pessoas brancas, verbalmente ou não, por elas acharem assumir seus cachos algo vitorioso. Porque isso é questão de padrão de beleza. E TODA MULHER QUE SAI DO PADRÃO, SE ASSUME COMO É, INDEPENDENTE DE COR, RAÇA, RELIGIÃO, SEXUALIDADE, ELA VAI SER UMA VITORIOSA SIM! Vai ter direito de levantar sua bandeira e sambar na cara da sociedade, sim! E ISSO É OUTRA COISA QUE NA NOSSA SOCIEDADE, TÁ SENDO DIFÍCIL DE SE PERMITIR. Tudo que acontece precisa de rótulo, precisa de nome, de cercas. Pelo amor de Deus! Acima de tudo somos humanos e todo humano vive em prol da superação. De superar seus limites, suas fronteiras, de superar a vida buscando apenas a própria felicidade. Então vamos SE APOIAR. VAMOS SER FELIZ PELA CONQUISTA DE OUTRO! VAMOS PARAR DE ACHAR QUE O MUNDO SÓ GIRA ATRAVÉS DE UMA ÚNICA PERSPECTIVA!
    Mais amor, menos rótulo!

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    1. Concordo com você Natalia.
      Chega de hipocrisia e rótulos a vida é bem mais que isso, viver com atitude e amor próprio.
      Eu sou negra e tenho o cabelo crespo, sei bem o que isso representa no dia a dia.

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  4. Ei, Laura! Enquanto eu lia seu texto, parei pra pensar no quanto é preciso abrir os olhos e olhar a nossa volta. Sinceramente, nesse momento, eu sinto vontade de chorar. Sou branca, tenho cabelo cacheado (apesar de preferir usá-lo liso normalmente) e nunca tinha parado pra pensar nisso. Enquanto eu lia seu texto, eu me vi de frente ao mesmo problema com que me deparei uns dias atrás, quando fui reavivar a curiosidade sobre o problema da apropriação cultural, que vi ser debatida novamente na internet, em meio a muitas polêmicas. (Algumas coisas nesse vídeo e nos textos que li ressaltavam como a adoção de dread locks, por exemplo, por pessoas brancas era nociva para as pessoas que originariamente usam esse tipo de penteado. Porque o branco quando adota esse penteado é revolucionário, é cool, é hippie, é da paz, enquanto os negros, os mulatos são sujos, são mendigos, são malandros, são ladrões). Esse problema é o problema de reconhecer que tem muita gente com os mesmos problemas que a gente, mas que no fundo, ainda são diferentes, mais profundos, mais difíceis de superar e se perguntar como continuar a luta, como continuar a ser solidária, a ajudar outras mulheres, outras amigas, sem colocar minha voz por cima do sofrimento delas, sem abusar – sem querer – do meu privilégio de branca na sociedade e acabar tornando a luta pras outras ainda mais difícil? Eu não sei se você vai responder, mas senti o impulso de te escrever isso caso você quisesse conversar por e-mail. Eu também sou de BH e gostaria muito de conversar sobre isso com alguém que sofre na pele, que sabe o que é.

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  5. Vou repetir aqui a mesma coisa que disse a dias atrás.
    Isso enche o saco. Todos os dias vem fake de “cachos perfeitos” me adicionar no Facebook.
    E Pior que tem negros indo nessa ondinha de cachos perfeitos, tinha uma gente tosca no meu Face que mandava Status dizendo que não namora com negra que não faça fitagem no cabelo… acho isso um Absurdo total. A Mulher negra já tem milhares de Obstáculos a sua frente e ainda tem que aguentar isso?
    Crespo Sim. Mais Negritude. Empoderamento de nossas irmãs.
    Ps: Valeu por usa nossa Foto como exemplo ❤
    Beijos

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  6. Estamos vivendo em uma ditadura que agora negro é obrigado a assumir black power. E daí se sou negra e não gosto de usar meu cabelo natural? E daí se eu acho mais bonito ele escovado? Sou obrigada a usá-lo crespo agora? Não, eu não sou obrigada. Significa que alisando não assumo meu verdadeiro eu e sim algo imposto pela sociedade? Ah! Faça me o favor de reclamar de algo útil. O fato de eu me olhar no espelho e me achar mais bonita com cabelos escovados do que naturais não é por imposição de sociedade, e sim por opinião própria. Agora julgar que todo negro deve usar black power isto sim é querer impor um padrão de beleza.

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  7. Olha, discordo de ti quando dizes que a “onda cacheada” é um apagamento da negritude. É um tipo de luta diferente da luta contra o racismo? Sem dúvida. Mas não deixa de ser um enfrentamento que também é difícil e doloroso. Não deixa de ser um levante contra padrões midiáticos. É algo que não pode ser desmerecido, como uma moça fez aqui nos comentários: “queridinha, você está por fora do que é dor”.
    Eu cresci achando meus cachos feios. Porque assim me disseram na escola. Assim me disseram na vida. Meus cachos resultam da combinação entre o crespo do meu pai e o cacho solto da minha mãe. E eu os silenciei porque dei ouvidos a essas pessoas que os apontavam como feios. Hoje, cogito muito fazer a transição, voltar aos cachos, voltar à minha identidade. Afinal, eles fazem parte do que eu sou. Que prossiga a luta cacheada. Que prossiga a luta negra. Não medindo dores e importância, mas lado a lado.

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  8. Tenho cabelo cacheado e sou uma mulher de pele clara. E embora eu seja militante do movimento negro e de mulheres negras concordo que o fato de eu ter cabelo cacheado e já ter passado por processos de alisamento e sofrido criticas por isso, esse fato não pode ser caracterizado como racismo. Penso que vivemos sob um ranço de racismo tão forte no Brasil que qualquer sinal de destoe do padrão branco (como nariz largo, boca carnuda, cabelo não liso, etc) é visto de forma pejorativa. No entanto, não posso dizer que já sofri racismo por conta do meu cabelo, tento amigas com cabelo crespo e presenciando de fato situações de racismo que elas enfrentam. Mas concordo que a luta deve ser lado a lado, não pensando hierarquias de opressão como diz Audre Lorde, mas pensando em solidariedade e sororidade no combate ao racismo, machismo e sexismo. Devemos saber de que lugar falamos e de nossas experiências e tentar compreender que cada um/uma tem uma história e tomarmos o cuidado de não atropelarmos as experiências umas das outras

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  9. Eu tenho visto negras do cabelo crespo, dizendo ser cacheada.Não acho que só tenha a ver com as mulheres brancas não. Parei de alisar o meu cabelo crespo há uns 8 anos atrás, na época quase não via mulheres negras com seus cabelos naturais, foi uma época muito difícil porque não existia nenhum assunto relacionado sobre nós, não existia blog,videos no youtube, páginas no orkut e nem face e muito menos textos relacionados a mulheres negras, e o preconceito que eu sofria muitas vezes vieram das mesmas negras que hoje assumem o seu cabelo e ficam indignadas com o racismo como se fosse algo novo porque agora estão lidando com a realidade, acho interessante o texto, e acredito que devemos ter a visão critica sobre a mídia sim, porque a mesma mídia que fala que agora é legal ter cachos, antes ridicularizava-nos mostrando produtos para abaixar o volume, e a televisão tentando nos manipular mostrando suas atrizes negras com o cabelo mais alisado o possível, mas posso dizer que a disputa estão também entre as próprias negras, quando vou a eventos afros rola a disputa de quem está bem mais vestida, algumas te olham torto já outras quando passo nas ruas fazem a questão de se mostrarem pra mim, erguem o corpo jogando as madeixas, as vezes fazem até questão de ficar perto pra dizer o meu é mais legal que o seu, você sempre deve estar com pessoas “descoladas” se não está, rola uma exclusão, acontece as comparações de tamanhos,cor e textura, as indagações sobre o fato de o cabelo não ter cumprimento maior que o da colega e quando vão as feiras afros,voltam tristes por todas essas comparações. Tudo isso que acontece me deixa profundamente triste também, porque passa-se a impressão de que, a galera da chapinha migrou pro cabelo natural e pronto, estão abitoladas com cronograma capilar, querem o cacho perfeito e não saem nas ruas se acharem que não estão com eles. Já vi muitas mulheres desistirem depois de ter passado pela transição, porque achava que o cabelo iria ficar igual ao da atriz,da modelo, da revista. Acredito que muitas tem embasamento político mas não são todas, eu admiro muito quem esta na luta há um bom tempo, em épocas piores porque não existiam pessoas pra compartilhar a luta, você lutava sozinho. Fico feliz que muitas mulheres tenham enxergado a sua beleza, mas não dá mais pra ficar assistindo tutoriais de penteados somente, da pra ir além, tudo isso deve ser trabalhado, devemos nos unir, continuar com nossas forças e resistências pra não que não exista uma lacuna entre nós mesmas,honrarmos sempre nossos antepassados e pensar no futuro e dos que estão por vir e que seja este o ciclo.

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    1. Lily…. você deu seu recado!
      Muito bem concordo, precisamos de união e aceitação entre nós mesmas, há racismo sim entre os próprios negros,é enraizado, muitas vezes praticado sem consciência,
      Avante… essa luta é de todas nós!!

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  10. A/C Laura Elisa,
    Obrigada pelo seu texto, ele é uma aula de história de cidadania, mulheres politizadas, guerreiras, tem vez e voz, por onde quer que passe.
    Eu viajei na leitura, traduz muitos dos conflitos de nossa realidade cotidiana.
    Parabéns
    Aguardo os demais textos.

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  11. Li o texto e li as respostas de todas em relação ao texto. Como terapeuta observo movimentos bem interessantes nos posicionamentos de vocês que vão desde uma febre raivosa que agita os corações em nome da defesa de algo legítimo e de outras partes uma relativização desses mesmos valores defendidos com parcimônia, mas também que falam de outros aspectos que são perturbadores para a auto-valorização e auto-estima. Porque não é só nós negras que sofremos preconceito: gordos sofrem, magros demais sofrem, feios sofrem, pessoas belas demais sofrem, mulher de corpo lindíssimo sofre, pessoas de orelhas grandes sofrem, pessoas de peito caído sofrem…e elas podem sim criar movimentos que respeitem mais a condição delas nessa vida.
    Se nós negras podemos esclarecer às pessoas sobre os preconceitos que sofremos, deveríamos ser as últimas a sermos violentas na relação em defesa de algo que acreditamos ser justo., porque senão só estaremos oprimindo os outros assim como fizeram conosco. Todos tem seus motivos e causas pelas quais lutar minha gente. Tem branco de cabelo crespíssimo sofrendo preconceito, tem loiro de olho azul e cabelos tipo 4C sofrendo com esse tipo de coisa porque aqui no Brasil, esse tipo de mistura é possível. A questão é que sim, os negros tem um histórico de sofrimentos, mas isso não pode gerar intolerâncias de cá para lá, entendem?
    Um cabelo não pode fazer isso tudo na vida de uma pessoa se ela começa a desrespeitar escolhas e o direito que os outros tem de expressarem seus sofrimentos também.
    Eu admiro a luta, mas não admiro a radicalização da luta. Sou negra, tenho cabelos super crespos, sou filha de um pai negro e uma mãe parda, e tinha avós de origem indígena e branca. Já sofri megas preconceitos e sinceramente, não vejo sentido em agredir as “pessoas brancas” de cabelos crespos ou cacheados ou lisos ou carecas (como queiram designar) porque todas as pessoas desse planeta ou desse país são descendentes de negros. Não sei se vocês sabem, mas a origem do homem deu-se no continente africano, e isso está comprovado cientificamente de acordo com estudos paleontológicos e todos os homens desse planeta tem a mesma parte genética que remonta a origem do homem na África.
    O que vemos de claro e escuro são adaptações do homem às regiões do planeta que moldaram seu biotipo de acordo com as condições encontradas ali. Então minha gente, protejam-se sim de preconceitos, mas não fomentem outro preconceito em nome do que pretendem defender. Todas as causas são legítimas, basta que elas nos oprimam seja por qual motivo for.
    Beijos e sucesso à todas! ❤

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  12. Oi!
    Sou branca, mas meu cabelo é CRESPO. Pois é, maluquices dessa miscigenação brasileira.
    Nunca sofri racismo por motivos ÓBVIOS, mas eu sofri bullying a vida toda com gente me xingando, me chamando de cabelo ruim, pixaim, desarrumada, etc.. Mas as pessoas tem que entender que até o fato de eu ter sofrido bullying vem do racismo, porque NADA que é associado aos negros é considerado bom e aceito socialmente, mesmo que associado a uma menina branca.
    Nem posso imaginar a dor que uma mulher negra sente em ser discriminada e maltratada, sendo que só o que eu sofri com o cabelo já me fez alisar a vida toda e chorar desde criança na escola, me esconder. me odiar. (tô em transição capilar).
    Soava tipo: LIVRE-SE DESSE RESQUÍCIO DOS NEGROS DA SUA FAMÍLIA DE VOCÊ.
    Então acho que SIM, é MUITO diferente o cabelo cacheado do crespo, muito diferente uma branca estar em transição e uma negra estar, você tem TODA razão!
    As pessoas consideram o crespo “sem forma”, feio, ruim, duro. É menos aceito e é um instrumento poderoso pra mulheres negras se empoderarem e mostrarem suas identidades.
    Eu tenho orgulho do meu, porque tenho orgulho de meus antepassados, de ter sido ensinada e criada por muitos familiares negros, tenho orgulho do meu avô negro e da minha mistura.
    E espero que vocês manas negras tenham cada dia mais orgulho e esfreguem o crespo de vocês na cara desses preconceituosos.
    E que as feministas brancas enxerguem que quando vocês sentem que é racismo, que é discriminação, TEMOS QUE OUVIR, ABAIXAR A CABEÇA E LUTAR PARA A DESCONSTRUÇÃO SER CADA DIA MAIOR.
    Porque juntas somos melhores. ❤
    Beijos.

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  13. Oi!
    Tenho pele clara e cabelo crespo, herança de família. Cresci como parda entre pardos, não branca, mas também não negra de pele. Criança aprendi a conviver com meu cabelo trançado pela minha mãe que não sabia o q fazer com o volume. Minhas colegas negras claras com seus cabelos ondulados, não crespos, riam do meu cabelo, desmanchavam minhas tranças e me faziam imitar a Elba Ramalho (anos 80 antes dos tratamentos capilares). Cresci nessa do cabelo Bombril, cabelo de farofa, cabelo porta trecos, cabelo de negra, Mafuá, cabelo ruim, pixaim, cabelo duro, e várias vezes desejei ser negra como meu cabelo ou parda ou mesmo branca, desde q fosse uma coisa só, cabelo, pele e traços, sem misturas. Relaxei o cabelo durante anos e aprendi a cuidar de tal forma que hoje tenho cachos naturais (a base de creme) num capacete de cabelo preto que se vê de longe. Nunca deixaram de rir do meu cabelo ou de enfiar coisas nele. Um colega paulista branco de olhos claros duante um almoço colocou o palito de dente usado no meio do meu cabelo e achou que tava pouco, começou a catar os lixinhos das outras pessoas das mesas e colocar no meu cabelo também rindo. Pessoas perguntam até hoje se entra pente no meu cabelo ou se molha, ou pq eu não prendo. A Barbara tem razão, o que lembra negritude gera preconceito racial sim. Estou hoje com 34 anos, há dez casada com um negro, que me considera parda e acha que meu cabelo deveria ser liso. É a vida. Mais amor pra todos.

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  14. Olá! Sou branca de dar dó! Branca mesmo… de acharem que sou gringa… tenho olhos azuis, mas meus cabelos são crespos, crespos mesmo, do tipo 4a/b, além do mais são grossos… Sou filha de mãe negra e pai branco, tenho dois irmãos, um negro e outro moreno.Sofri bullying minha vida inteira! cabelo de vassoura era apelido… O fato de ser branca só piorou o bullying. Acreditem, o fato de ter a pele branca nunca fez com que as pessoas NÃO reparassem meu cabelo, pelo contrario… chamava mais atenção ainda. TER TRAÇOS DE NEGROS FAZ COM QUE AS PESSOAS TENHAM PRECONCEITO INDEPENDENTE DA SUA COR DE PELE.

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  15. Gostaria mesmo de entender pq vcs negras não aguentam mais ouvir as histórias de transição capilar de mulheres brancas. Sou mestiça, tenho cabelo 4A e comecei a fazer química aos 10 anos por estar entrando em depressão devido ao bullyng sofrido na escola. Era piaçava, bucha vegetal, espiga de milho, pico, assolan, Bombril, (fora minha boca que é enorme e vcs ja podem imaginar os adjetivos a ela referidos) sofri rejeição de vários meninos que gostei por conta do meu cabelo. Agora com 23 anos, resolvi passar pela transição e estou me descobrindo, não costumo comentar sobre isso com ninguém que não me pergunte, mas vejo na internet, no meio das manas que também estão passando ou já passaram pela transição, um local propício para eu me abrir e falar sobre a minha experiência. Mas aí eu me deparo com publicações como essa, que parecem tirar a importância e a profundidade do meu relato, da minha história.. quer dizer.. divisão pra quê? Pra cumê?
    Eu participo de grupos de transição e de feminismo negro, pra ouvir oq as manas tem a dizer, pra entender os pontos de vista delas sobre solidão da mulher negra, sobre empoderamento da mulher negra, transição e experiências durante a transição e etc, pra quando chegar na minha vez de falar, as manas quererem me silenciar pq meu cabelo é pixain mas minha pele não é escura o suficiente pra elas me ouvirem? AAAAA DA SUSSEGO !

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  16. eu sou branca e tenho cabelo cacheado,e ofri p deixar a chapinha sim,mas por mim mesma, e sofro pra achar posts sobre o tema,pois cachos parece ser coisa de mulher negra apenas ,e isso não é verdade ,o cabelo é mais fino,outra textura,mas como não encontro ,tenho q ver as dicas das meninas negras,que são Divas ,mas meu cabelinho não chega p isso.só que nem tudo é apropriação ,Ana Paula Arósio que o diga…sou contra racismo de qualquer lado.

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